terça-feira, 25 de janeiro de 2011


Brincar faz bem à saúde e nunca se é demasiado crescido para ser "brincador"...

O Brincador
Quando for grande,
não quero ser médico, engenheiro
ou professor.
Não quero trabalhar de manhã à noite,
seja no que for.
Quero brincar de manhã à noite,
seja com o que for.
Quando for grande, quero ser um brincador.
Ficam, portanto, a saber:
não vou para a escola aprender
a ser um médico,
um engenheiro ou um professor.
Tenho mais em que pensar
muito mais que fazer.
Tenho tanto que brincar,
como brinca um brincador,
muito mais o que sonhar,
como sonha um sonhador,
e também que imaginar, c
omo imagina um imaginador...
A minha mãe diz que não pode ser,
que não é profissão de gente crescida.
E depois acrescenta, a suspirar: "é assim a vida".
Custa tanto a acreditar.
Pessoas que são capazes, que um dia também
foram raparigas e rapazes,
mas já não podem brincar.
A vida é assim? Não para mim.
Quando for grande, quero ser um brincador.
Brincar e crescer, crescer e brincar,
até a morte vir bater à minha porta.
Depois também, sardanisca verde que continua a rabiar
mesmo depois de morta.
Na minha sepultura, vão escrever:
Aqui jaz um brincador...

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