
Entrei pela porta de um livro e fechei-me lá dentro com as palavras acesas e as luzes apagadas. (...)
Era a primeira vez na vida que eu me fechava dentro de um livro.(...)
O livro era agora o meu refúgio e a minha casa, casa onde tudo era imprevisível e estranho e onde as letras tinham a espessura e cheiro como se fossem humanas. Confesso que me perdi lá dentro, como já antes me perdera no labirinto de esferovite do parque de diversões que animava os meses de Verão da minha terra.(...)
Agora estava perdido dentro de um livro e não conseguia encontrar a porta que me devolvesse ao pequeno mundo exterior.(...)
José Jorge Letria, in A Mão Esquerda de Cervantes